
Num destes dias, ao divagar pela Livraria Portuguesa (nem imaginam o valor que se dá a este privilégio de ter por perto uma livraria só nossa, por pequenina que seja), deparei-me com um livro (que não cheguei a comprar, pois o preço era exorbitante) que contava a história da beleza feminina ao longo dos tempos. Analisava a mudança de estereótipos e comparava as meninas roliças, sex-symbols do século XIX, com as anorécticas e escanzeladas que, hoje em dia, povoam qualquer passagem de modelos.
O conceito de beleza é estranho.
Carregado de subjectividade, eu sei, mas, desde que vim parar a este lado do mundo, dei por mim a perguntar-me se o conceito de beleza também não terá o seu quê de cultural.
Não me considero feia. Tão pouco capa de revista. Lá terei os meus encantos, acho eu.
Nesta terra, porém, sinto-me transparente nas ruas. Os chineses-homens, ao que sei, não acham piada nenhuma às ocidentais – somos demasiado independentes e “masculinizadas”. Guiamos carros, carregamos compras, discutimos se não concordamos… no fundo, falta-nos aquele ar frágil e submisso das orientais, creio eu.
O ego feminino, de início, pobre coitado, anda pelas ruas da amargura. Mas, aprende-se a viver com esta “transparência” local.
De qualquer modo, o inverso também é verdadeiro. Uma ocidental sentir-se fisicamente atraída por um chinês é caso raro (já não falo da diferença cultural e na dificuldade de comunicação). Habituadas como estamos ao “macho latino”, a falta de barba, de pelos, as mãos pequenas, a forma de olhar, o próprio cheiro, as maneiras à mesa, nada nos diz.
Hoje, aqui e agora pergunto-me se a atracção física (com toda a sua carga de subjectividade) não será também inconscientemente influenciada pela educação recebida, pela vivência passada... no fundo, por todos os "pré-conceitos", que todos acabamos por assumir como maneira-de-ser...