Quinta-feira, Junho 30, 2005

Palavras



Hoje, em conversa, surgiu o nome de André Breton a propósito do conceito de beleza feminina. As saudades de o ler, a partir daquele momento, apoderaram-se de mim.

Breton nasceu em Fevereiro de 1896. De origem humilde, começou por estudar Medicina, sem qualquer entusiasmo. Desde cedo a sua veia de poeta o fez enveredar por caminho diferente. Fundador do movimento surrealista, deixou-nos um legado de palavras, cuja melhor descrição nos foi deixada pelo próprio: "Words make love with one another".

Uma personalidade fora de série, que vale a pena conhecer e que nos deixou palavras que sabem, como ninguém, fazer amor umas com as outras ;-)

Matisse



Mais um quadro que me é familiar.
Henri Matisse nasceu em 1869 e morreu em 1954. Deixou-nos imagens intemporais.
Hoje, aqui, deixo apenas uma frase da sua autoria que dá que pensar.
"There is nothing more difficult for a truly creative painter than to paint a rose, because before he can do so he has first to forget all the roses that were ever painted."
Difícil... A criatividade é, sem dúvida, algo de único.

Terça-feira, Junho 28, 2005

Publicidade



Sempre adorei publicidade. Desde miúda.
A “pancada” era tamanha que ainda hoje conservo gravações do velhinho vídeo BETA (um dinossauro da tecnologia) com anúncios de que gostava.
Guardo relíquias como o restaurador Olex (que restaura a cor primitiva do nosso cabelo), as meias CD (quem ganha é você), as camisas Vítor Emanuel e a pasta medicinal Couto, lembram-se? ;-)

Dizia eu, a publicidade cativa-me. Sobretudo pela imaginação que está por detrás. O poder de transmitir uma grande mensagem em poucas palavras, a consciência do poder de uma imagem. Deslumbro-me com a capacidade que uma boa campanha publicitária tem sobre qualquer um de nós.

A ideia de falar aqui sobre publicidade surgiu quando li o último comentário ao meu post anterior – “Primeiro entranha-se, depois estranha-se”.

Em 1928, a agência McCann-Erikson decidiu lançar a Coca-Cola em Portugal. Com uma grande verba publicitária, Pessoa foi contratado como criador da campanha publicitária, já que, na altura, trabalhava como tradutor nas correspondências da McCann com os seus clientes portugueses.O primeiro slogan da Coca-Cola em Portugal foi então: 'Primeiro estranha-se, depois entranha-se'.

A campanha foi um sucesso, seguida de um enorme prejuízo financeiro, pois o então Director de Saúde de Lisboa entendeu que a mensagem publicitária era um explícito reconhecimento da toxicidade do produto e decretou a interdição do consumo de Coca-Cola em Portugal. Todo o stock foi lançado ao mar.

Mas a frase permaneceu, o que prova que a boa publicidade nunca depende do produto!

O Pedro



Este é o Pedro.
Habitante de Malaca e músico.
Vive da generosidade alheia que vai conquistando ao som da harmónica que lhe foi oferecida pela avó, com quem aprendeu a desenvolver o dom. Descendente de portugueses, elegeu como local de trabalho o antigo forte construído por nós, portugueses.
Conheci-o através de um sorriso trocado ao acaso. E a conversa surgiu.
“De onde sou? Portugal.” E de novo um sorriso rasgado. “Eu sou o Pedro e o pai do meu avô era português.”
Derreti.
A minha curiosidade tratou logo de assumir o rumo da conversa.
Aprendeu a ler e escrever, sabe falar malaio, inglês, arranha o mandarim e ainda se lembra de algumas palavras do dialecto português, que em Malaca, teima em persistir; é um de treze irmãos e adora a liberdade que o tocar pelas ruas lhe permite.
Dedicou-me a única música portuguesa de que ainda se lembrava na sua harmónica, velhinha de tão usada.

Ouvi-lo dizer que as palavras que mais gosta em português é comer, beber e bailar, naquele local elevado, onde a vista do oceano se perde no horizonte, fez-me pensar se o nosso “fado” lusitano não terá sido ir deixando, assim, até aos dias de hoje, um rasto de alegria de viver, que vai permanecendo, do outro lado do mundo.

Segunda-feira, Junho 27, 2005

Regresso



O motivo de força maior? Uma "escapadela" maluca de 3 dias para conhecer Kuala Lumpur ;-)
Cidade fantástica, cuja característica marcante é a diversidade - desde os edifícios, às religiões que co-habitam, passando pelo trajar e pelas caras de quem ali vive.
Não há padrão possível. A mistura é perfeita.
E, como se isto não bastasse, a simpatia genuína de quem nos recebe torna a estadia um prazer sem fim.
PS - Mas, tenho de confessar... mesmo em passo de corrida, senti saudades dos meus morangos;-)

Quinta-feira, Junho 23, 2005

Aviso



A quem possa interessar: por motivo de força maior, que revelarei no próximo post, a minha assiduidade diária sofrerá, a partir de hoje, um pequeno interregno.
Até lá, deixo-vos com uma das muitas relíquias que a China nos oferece :-)

De volta ao aconchego



Hoje regressei, por momentos, à casa onde nasci.
Numa das muitas buscas virtuais, calhou tropeçar nesta imagem: “O Ciclista” de José de Guimarães.
Trata-se de um dos muitos artistas ao lado dos quais fui crescendo, pois se há imagem que retenho da casa dos meus pais é a inexistência de paredes vazias. Pinturas e serigrafias coloriam e animavam todo o espaço em nosso redor, alimentando os nossos sonhos de infância e juventude.
E, quando um dos quadros tinha de ser retirado para “restauro” (fosse por causa da humidade, do bicho do papel ou de uma qualquer bola perdida que falhara a pontaria na baliza improvisada), nascia imediatamente, em todos que ali vivíamos, uma sensação de vazio. Incómoda. Faltava ali qualquer coisa.

A memória visual tem esta capacidade tremenda de, por vezes, nos levar de volta ao ninho ;-)
PS - www.josedeguimaraes.com para quem sinta curiosidade e queira saber mais sobre o autor deste colorido e gigantesco ciclista.

Quarta-feira, Junho 22, 2005

A beleza




Num destes dias, ao divagar pela Livraria Portuguesa (nem imaginam o valor que se dá a este privilégio de ter por perto uma livraria só nossa, por pequenina que seja), deparei-me com um livro (que não cheguei a comprar, pois o preço era exorbitante) que contava a história da beleza feminina ao longo dos tempos. Analisava a mudança de estereótipos e comparava as meninas roliças, sex-symbols do século XIX, com as anorécticas e escanzeladas que, hoje em dia, povoam qualquer passagem de modelos.

O conceito de beleza é estranho.
Carregado de subjectividade, eu sei, mas, desde que vim parar a este lado do mundo, dei por mim a perguntar-me se o conceito de beleza também não terá o seu quê de cultural.

Não me considero feia. Tão pouco capa de revista. Lá terei os meus encantos, acho eu.
Nesta terra, porém, sinto-me transparente nas ruas. Os chineses-homens, ao que sei, não acham piada nenhuma às ocidentais – somos demasiado independentes e “masculinizadas”. Guiamos carros, carregamos compras, discutimos se não concordamos… no fundo, falta-nos aquele ar frágil e submisso das orientais, creio eu.
O ego feminino, de início, pobre coitado, anda pelas ruas da amargura. Mas, aprende-se a viver com esta “transparência” local.

De qualquer modo, o inverso também é verdadeiro. Uma ocidental sentir-se fisicamente atraída por um chinês é caso raro (já não falo da diferença cultural e na dificuldade de comunicação). Habituadas como estamos ao “macho latino”, a falta de barba, de pelos, as mãos pequenas, a forma de olhar, o próprio cheiro, as maneiras à mesa, nada nos diz.

Hoje, aqui e agora pergunto-me se a atracção física (com toda a sua carga de subjectividade) não será também inconscientemente influenciada pela educação recebida, pela vivência passada... no fundo, por todos os "pré-conceitos", que todos acabamos por assumir como maneira-de-ser...

Terça-feira, Junho 21, 2005

Mistérios



O desconhecido assusta qualquer ser humano.
Para algumas almas mais curiosas, porém, faz nascer também a vontade da descoberta. Este é, talvez, um dos motivos que me fez vir parar a esta terra - mas, isto é informação irrelevante para este post.
A escrita chinesa é lindíssima - cada caracter tem a sua história e transmite uma ideia. Juntando vários, a ideia de cada um transforma-se no pensamento que se pretende transmitir.
Os que aqui figuram significam pela ordem respectiva: Verdade, Beleza, Liberdade e Amor.
Aqui em Macau, a percentagem de pessoas "analfabetas" é gigantesca - comunicam entre si (em regra num tom de voz assustador), sabem falar e ouvir, mas, para ler um jornal, ao que sei, é necessário conhecer de cor entre 1500 a 2000 caracteres; coisa que passa ao lado de uma boa parte da população que habita este pequeno território.
Agravando-se esse "analfabetismo" com o facto de na maior parte da China se falar mandarim, língua aqui desconhecida, já que, por cá, é o cantonês que permite a comunicação (já para não falar nos dialectos pela China adentro que, de tão grande, acaba assim por ter população com nacionalidade semelhante, a falar mandarim, e que, apesar disso, não se entende).
A ideia deste post nasceu quando, hoje, recebi uma carta da minha senhoria a denunciar o contrato de arrendamento - uma carta registada, recheada de caracteres e eu sem perceber nadinha. Lá encontrei uma alma bilingue que me traduziu o texto e eis que, sem ter percebido sequer, tenho um problema em mãos...
Ainda assim... Continuo a achar a escrita chinesa um encanto ;-)

Segunda-feira, Junho 20, 2005

Homenagem



Num post anterior – aquele em que falava de como a música nos consegue tocar – um grande amigo, que tem um olho de lince e gosta de rúcula e adora fotografar, perguntava se a foto escolhida não seria novamente uma homenagem subtil a Robert Doisneau.
E era, de facto.

De fotografia, infelizmente, percebo pouco. Mas, na minha santa ignorância, Doisneau é um dos fotógrafos que sempre admirei. Pela simplicidade e beleza com que transmite mensagens gigantescas e impressionantes.
A homenagem é devida, hoje, aqui, de forma clara. Não subtil :-)

Robert Doisneau nasceu no mês de Abril de 1912, em Gentilly, nos subúrbios de Paris. Na escola não foi um estudante exemplar e o interesse pela fotografia nasceu em 1929. Profissionalmente, a dedicação à causa só teve lugar mais tarde, em 1934.
Trabalhou na Renault, de onde foi despedido, até que decidiu tornar-se foto-jornalista. Na mesma altura, porém, o exército francês exigiu a sua presença e ali serviu até 1940, trabalhando com a Resistência até ao final da guerra.
Ía criando postais para ganhar uns tostões.
Em 1949, surge um contrato com a revista Vogue, onde trabalhou até 1952 e, a partir daí, decidiu tornar-se fotógrafo free-lancer.
Morreu em Abril, no mês em que havia nascido, em 1994 .

Gostava de deambular pelas ruas, de máquina em punho, e assim coleccionar momentos de gente comum, intuitivamente. Que hoje e agora temos o privilégio de partilhar.
Este é mais um exemplo do seu trabalho: "Les amoreux".
E digam-me lá... é ou não um encanto?
PS - Para quem sinta curiosidade e queira saber mais de Doisneau, vide (como dizem os juristas ;-) www.robertdoisneau.com

Domingo, Junho 19, 2005

O poder de um sorriso



Hoje vivi uma situação nesta terra que me fez sentir o filme “Lost in translation” na pele. Alguém bateu no meu carro estacionado e fugiu (um carro velho e a cair aos pedaços, como todos os de quem por aqui vive “de passagem”) e lá tive de ir apresentar a queixa na polícia. Dei por mim a procurar explicar por gestos e no meu cantonês macarrónico o que se passara e a tentar adivinhar o que os polícias conversavam entre si, no seu cantonês perfeito.
Passada uma boa hora nisto, descubro que o poder de um sorriso é, de facto, surpreendente.
Um dos polícias, novito e o único que arranhava um bocadinho de inglês, no meio de sorrisos e na sua simpatia, terminou a dar-me o número do telemóvel para eu ir acompanhando “as investigações" ;-)

Das primeiras palavras que aprendi em cantonês foi o famoso “mo’mentai” – que quer dizer, não tem problema.
Nada como sorrir, manter a calma, ter paciência e dizer “mo’mentai”! – e como já me ensinara o meu avô: “amigos é bom tê-los até no inferno!”
De qualquer modo, tenho aqui de confessar que a boa-disposição mantida perante o acontecimento se deve unicamente ao facto de o meu carro ser velho e continuar a andar (que é a única coisa que necessito do dito) - mas, de facto, para quê perder um sorriso por causa de um bocado de chapa?!

Mo’mentai! E tratemos de aproveitar este dom de saber sorrir ;-) Que, no que toca à comunicação, se trata de linguagem universal!

Sábado, Junho 18, 2005

Água



A água é um bem precioso e a sua necessidade imperiosa para a sobrevivência humana faz-nos ter consciência da importância da chuva. Devíamos agradecê-la, sempre.
Mas hoje, confesso que, depois de passar dias a fio debaixo de autênticos dilúvios, só me apetece é agradecer e ir ir gozar estes raios de sol! ;-)
Já viram como a meteorologia tem um poder incrível sobre o nosso humor?!

Sexta-feira, Junho 17, 2005

Sons



Adoro ouvir e recordar.
Música...
A música tem esta capacidade de nos fazer reviver momentos passados, se soubermos guardar o som que nos vai tocando em cada um deles.
Trata-se de uma manifestação humana sublime.
Aproveitemos !
Que a humanidade assim se enriquece e a vida também é feita deste bocadinho;)

Quinta-feira, Junho 16, 2005

Mensagem



O mundo ganhou outra dimensão para mim, desde que vivo deste lado do planeta.
Se de início toda esta distância era assustadora, hoje, já não a sinto assim.
Conseguir chegar ao Oriente e aprender a viver por cá foi, para mim, uma pequena vitória. E, desde então, deixei de sentir Macau e Portugal como longínquos.
Hoje, porém, tive novamente noção desta distância que me separa.
Um grande, grande amigo, de quem gosto muito e que, creio, será o que mais me aturou (a amizade já vem desde os 13 anos) comunicou-me que se vai casar em Setembro.
Por muito que queira, (e acho que ele sabe que adorava estar ali a testemunhar o grande passo), não vou poder estar presente no dia D, pois o meu trabalho aqui impede-me férias nessa altura.
Estarei lá em pensamento, seguramente (o que nunca é a mesma coisa, eu sei...)
Momentos como este fazem-me sentir, de novo, que o mundo que me separa afinal é gigantesco. E dói um bocadinho.
Mas, meu querido, sabes que, por muitas voltas que a vida dê, te adoro. E, acima de tudo, te desejo que sejas muito, muito feliz. E tu sabes sê-lo, como ninguém!
As saudades que sinto não têm medida possível. O que me alenta é saber que os verdadeiros amigos nunca se perdem.

Quarta-feira, Junho 15, 2005

Impressões



Foi na companhia do meu pai que, desde menina, fui aprendendo a abrir os olhos para o encanto que as pinceladas de um artista convocam - ele próprio pintando sempre que o tempo lhe permitia, ali, ao meu lado, e, ao mesmo tempo, elogiando os meus naifs, ingénuos, desenhos de infância (alguns guardados desde então... e coitadinha de mim - hoje digo, o meu futuro como pintora seria seguramente o desemprego!) foi com ele que fui aprendendo, assim, devagarinho, a ver, rever e procurar tudo o que uma pintura nos revela - a cada um de sua forma, pois a maneira de olhar é sempre única.
Esta é uma pintura de Picasso de muitos conhecida: "Guernica".
Um massacre é sempre hediondo. Pintado numa tela virgem, de tão branca, deve ter provocado momentos de dor a quem a tornou realidade.
Tive o prazer de a ver ao vivo, no museu Rainha Sofia, em Madrid, há uns longos anos atrás, precisamente na companhia do meu pai.
Já conhecia Picasso e o Guernica já me era familiar, de livros, ilustrações.
Todavia, ver ao vivo aquela tela é descobri-la de novo. Pela dimensão e pelo silêncio que impõe. Um olhar com atenção pela enésima vez e descobrir a cada passo um novo detalhe.
Acho, sinceramente, que só quem esteve perante este quadro gigantesco poderá compreender o que tento transmitir.

Segunda-feira, Junho 13, 2005

Mistérios



Nos comentários ao meu post anterior surgiu a dúvida àcerca da minha localização geográfica. Coordenadas de latitude e longitude, confesso que ignoro, mas o "Zero" acertou na muche (esta semana joga no totoloto rapaz;-)
É verdade. Vivo, neste momento, em Macau.
O nome "Macau", segundo aprendi, deriva da raiz fonética chinesa "A-Ma-Gau", que significa Baía de A-Má. Ou seja, referindo-se ao Templo de A-Má, que data do século XV e que já existia antes do estabelecimento da "cidade de Macau" - hoje conhecida como Região Administrativa Especial de Macau (RAEM) da Républica Popular da China.
Vim para cá trabalhar em outubro de 2003 e, embora não seja uma terra fácil (desde o clima que chega a ser doloroso, tamanha a humidade no ar, às dificuldades de comunicação diária - e isto são apenas exemplos), lá se vai descobrindo aos poucos os seus encantos ;-) e ganhando a cada dia uma verdadeira "paciência de chinês"!
Esta é uma fotografia que tirei ontem, da varanda da casa que aqui arrendei, na altura do lusco-fusco - um momento do dia que me diz muito! E essencial para quem sofre de insónias!
A vinda para este lado do mundo fez-me descobrir que o "encanto do oriente" não é nada daquilo que imaginamos. Não é imediato. Apenas se vai descobrindo.
E assim se vai revelando mais um mistério;-)

Domingo, Junho 12, 2005

Momentos



Usufruir desta vista, esticada no sofá, ao som de Billie Holiday, acaba por provocar um sentimento de solidão.
Momentos como este exigem (e merecem) ser partilhados.

Sábado, Junho 11, 2005

Há dias assim

"Os negócios não os deixam descansar
De noite fazem contas de dia galopam
A sua vida é uma azáfama constante
Desconhecem que sobre as suas casas o céu é azul."

Tai Fu Ku, in Rosa do Mundo - 2001 Poemas para o Futuro

Confesso que, hoje, não sei descrever a cor do céu sob o qual vivi...
Porém, descobri que viver o 10 de Junho do outro lado do mundo tem a sua piada ;-)

Quinta-feira, Junho 09, 2005

Nós e o tempo



Um comentário ao meu post anterior, comparava-nos com o vinho. E dizia o seguinte: “melhoramos com os anos, a não ser que sejamos abandonados…”

Resolvi responder aqui, pois estas palavras fizeram-me pensar.

Creio que mesmo o sofrer um abandono nos enriquece. É uma vivência, um sentir que também faz parte da vida. Cada vez tenho mais a certeza que é cada momento, cada sorriso, cada lágrima que nos torna únicos.

À medida que os anos vão passando é inegável que a beleza da juventude se vai transformando. Porém, o que temos cá dentro assume dimensões incomensuráveis. E o gosto apura-se a cada dia que passa.

Vai-se, assim, devagarinho, passo a passo, dia a dia, criando uma forma de beleza única e cativante, se a soubermos descobrir.

Talvez, por isso, sempre me tenham encantado velhinhos felizes de cara enrugada ;-)

O livro das memórias



O prazer de rever alguém que no passado nos marcou coloca-nos perante inevitáveis perguntas, cujas respostas podemos, por vezes, temer. É como que um pequeno teste assustador. Será que afinal aquela imagem que tínhamos dessa pessoa se mantém, será que ela nos irá reconhecer, será que a marca que mantivemos ao longo dos anos continua a fazer sentido…?
Sim, sim e sim.

Revi hoje uma professora de faculdade.
Uma mulher admirável, que sempre guardei com carinho.
E tive a sorte de ter passado neste teste com 20 valores :-)

Quarta-feira, Junho 08, 2005

Tristeza



O corpo humano é de uma beleza única.
Hoje fui ver a companhia de ballet da ópera de Lyon.
Vim encantada. E triste.
Cheguei triste e regressei triste.
Não por culpa do bailado, mas de mim. Tenho dias assim, em que só me apetece estar comigo.
Apesar de tudo, por momentos, ao longo da noite, dei por mim com um sorriso nos lábios.
A beleza de uma coreografia, o som de uma música encantada e o olhar a perseguir cada movimento, fez-me, por momentos, esquecer esta tristeza. Soube bem.
PS - De facto, lendo este post, só me resta parafrasear um amigo único q Macau me deu: "a minha vida é um livro aberto. Com algumas páginas coladas... mas é um livro aberto!"

Terça-feira, Junho 07, 2005

Mimos



Devo ter sido princesa noutra encarnação.
Adoro que me tratem. Que cuidem de mim. Desde sempre ;-)
E o Oriente cultiva este culto, para minha grande sorte.
Conseguem imaginar o que se sente quando os olhos se vão fechando e somos transportados, sem darmos por isso, para uma dimensão diferente?!
Conselho de amiga... experimentem!!!

Domingo, Junho 05, 2005

Domingos



Nunca gostei de domingos. Sempre achei um dia triste.
O de hoje, porém, foi muito diferente.
Resolvi fazer de turista em Macau.
Desafiei uma grande amiga (das coisas boas que esta terra me deu) e lá fomos as duas descobrir cantos e recantos que me eram até hoje desconhecidos.
Subimos ao farol da guia (construído em 1865 e o mais antigo em toda a costa da China), o ponto mais elevado deste bocadinho de território (andámos que nos fartámos, diga-se) e lá em cima, esperava-nos uma vista que me ficou gravada na memória.
Passámos por jardins lindíssimos e bem cuidados. Justiça se faça a esta gente que sabe cuidar e usufruir dos espaços verdes! Vimos flor de lótus, bonsais, velhinhos a fazer tai-chi num silêncio que pacifica qualquer um.
Vou agora dormir com a impressão que Macau até é bonito (quando deixamos;-)

Sábado, Junho 04, 2005

Sem palavras





Foi hoje, há anos atrás, que milhares de estudantes foram mortos em Tiananmen.
Como se descreve um acontecimento assim?
Não se descreve.
Ontem, hoje e sempre, nunca haverá palavras suficientes que descrevam o que nos faz sentir.

O amor em visita



"Dai-me uma jovem mulher com sua harpa de sombra e seu arbusto de sangue. Com ela encantarei a noite.
Dai-me uma folha viva de erva, uma mulher. Seus ombros beijarei, a pedra pequena do sorriso de um momento.
Mulher quase incriada, mas com a gravidade de dois seios, com o peso lúbrico e triste da boca. Seus ombros beijarei.
Cantar? Longamente cantar,
Uma mulher com quem beber e morrer."
Esta é uma pintura de Schiele e este um excerto de um poema de Herberto Helder.
Ao vê-los aqui, juntos, cada vez me convenço mais que a pintura e a poesia se completam de uma forma sublime.

Sexta-feira, Junho 03, 2005

Sabores



Hoje fui convidada para um típico almoço chinês.
Quando aterrei deste lado do mundo senti-me ludibriada com a "comida chinesa" que nos vendem por aí... é o dia da noite.
A verdadeira, genuína, não tem descrição de tão saborosa! E para quem gosta de vegetais como eu, vim parar à terra dos mestres! Ninguém os cozinha assim!
O almoço chinês tem um nome: yam-cha. Consiste numa reunião em volta de uma mesa redonda a beber chá e com comida à mistura. E que comida!
Esta fotografia mostra o que são os "Dim-sum" - São as tapas espanholas cá do sítio, cozinhadas no vapor. Uma delícia!
Será que é pelo estômago que convenço alguém a visitar-me? ;-)
Garanto que não se arrependem!!! (até porque não serei eu a cozinhar ;-)

Quarta-feira, Junho 01, 2005

Perfeição



Hoje foi o dia da criança.
Não sou mãe, muito menos avó, e tia só por afinidade. Mas não há bebé que não me derreta.
Hoje, gostava de deixar aqui uma homenagem à perfeição de um recém-nascido.
E, acima de tudo, desejar que, nós homens, nunca nos esqueçamos da criança que fomos um dia. E que tenhamos o coração suficientemente grande para dar, acudir, partilhar, ajudar, todas as crianças do mundo que só nos têem a nós, adultos, crescidos, para as amparar.