Terça-feira, Agosto 30, 2005

Finalmente



Sabem que mais?!
É isto mesmo. Omoletes sem ovos jamais serão omoletes, por muito que tentem.
Se o que tenho de seguro pela frente, neste momento, é uma tese de doutoramento, seja.
Se a mesma implica uma estadia maior que a esperada em Macau, seja.

Estou farta de tamanha indecisão! Cansada. Exausta.
Já sofri que chegue.
Nada como um almoço com a avó optimista (como ninguém!) e um fim-de-jantar com o pai que me conhece até ao tutano.
Cada um à sua maneira me ajudou a recuperar o sono (férias desgraçadas estas, credo!)

A partir daqui .... se acreditasse em Deus, seria um "seja o que Deus quiser", mas, como a minha fé não chega a tanto...
olhem....vamos a ver, como diz o cego ;-)

Segunda-feira, Agosto 29, 2005

Nada se sabe


De que nada se sabe

La luna ignora que es tranquila y clara
y ni siquiera sabe que es la luna;
la arena, que es la arena. No habrá una
cosa que sepa que su forma es rara.
Las piezas de marfil son tan ajenas
al abstracto ajedrez como la mano
que las rige. Quizá el destino humano
de breves dichas y de largas penas
es instrumento de otro. Lo ignoramos;
darle nombre de Dios no nos ayuda.
Vanos también son el temor, la duda
y la trunca plegaria que iniciamos.
¿Qué arco habrá arrojado esta saeta
que soy? ¿Qué cumbre puede ser la meta?


Jorge Luís Borges, escritor argentino, que cegou aos cinquenta anos de idade e com um dom para pôr em palavras tantos dos nossos tormentos.

Domingo, Agosto 28, 2005

Felizes acasos

Acabei de descobrir, por mero acaso, um blog novinho em folha. E que, pela amostra, promete...
Arrisco-me a "postá-lo" aqui.

http://quartocentoeum.blogspot.com

Gostei do que li.
A partilha daqueles dois tocou-me.

Já sei. É a sensibilidade à flor da pele..., que querem?!
Não é novidade. Já me conhecem;-)

Sábado, Agosto 27, 2005

A fada-dos-dentes



Todos nós já passámos pela fase rídícula em que os nossos pais se entretinham a fotografar-nos com um sorriso desdentado.
Era a altura em que a frase "... e foram felizes para sempre" fazia todo o sentido e nos era apresentada a famosa "fada dos dentes" - uma benemérita, que deixava uma moeda debaixo da almofada em troca do nosso esburacado sorriso e de cada dente de leite que ía teimando em cair (claro que tratávamos de o abanar até mais não e se possível, mostrar com grande gáudio o horrendo espectáculo aos amigos mais impressionáveis;-)...também fazia parte desses tempos, claro)

Passada essa fase, já com as "favolas" sem substitutos naturais possíveis, por muito que nos esmeremos a lavar os dentes no fim de todas as refeições, usar fio dental, etc, etc., as idas ao dentista são sempre inevitáveis. E, volta meia volta, lá vem uma porcaria de um dente que resolve dizer-nos que existe - um gelado, um cubo de gelo, um chá quente... e eis que damos conta que o "gajo" está ali a barafustar...

Vai de marcar uma visita ortodôntica (que, com este nome, até parece uma coisa in...;-)

Odeio.
Odeio.
Odeio.

Odeio as salas de espera (e a espera respectiva), odeio o cheiro característico daqueles consultórios, odeio aquela cadeira, aquela luz por cima de mim, aquela posição palerma de boca aberta a sentir-me observada, o som metálico de cada objecto, o ter de bochechar com a boca torta da anestesia...

Bah!
O meu dentista é uma simpatia.
O meu ódio, porém, é mesmo irracional.

Acho que, hoje, nem uma fada dos dentes me valia;-)

Sexta-feira, Agosto 26, 2005

Neuras

A raça humana é muito estranha. Além de ser o único animal capaz de dizimar a própria espécie (e por motivos que, em regra, resultam da própra estrutura social por si montada), consegue criar novas necessidades para si mesmo, com o sofrimento inerente, se as mesmas não são satisfeitas.

Vivemos a uma velocidade tal que acabamos por deixar de saber ususfruir, com calma, cada momento. No tempo dos nossos tetra-avós não havia máquinas de lavar, nem Tides, Skips ou Blankas. Não havia telemóveis, computadores ou internet. E não consta que eles fossem menos felizes...

Alguém me explica, por que carga de água é que, por vezes, ficamos de neura quando abrimos a caixa de correio e... Inbox (0)?!

Quinta-feira, Agosto 25, 2005

Porque os sonhos cor-de-rosa são banais

Hummm... post para hoje....
Olho para o ecrã, o cursor a piscar e o meu pobre neurónio solitário sem ideia nenhuma.
Olho em redor e dou por mim a ler um anúncio ao vinho verde: "Porque os sonhos cor-de-rosa são banais". Achei piada. Quem se lembraria de associar esta frase a este produto?!

Humm.... é isso. Slogans.

Slogan é uma frase de fácil memorização usada em contexto político, religioso ou comercial como uma expressão repetitiva de uma idéia ou propósito. Vem de sluagh-ghairm (se pronuncia slogorm), do gaélico escocês para "grito de guerra".

Nos dias de hoje somos bombardeados com slogans - nas revistas, jornais, televisão, rádio, outdoors. Imagino que inventar um bom slogan não deva ser tarefa fácil. Admiro a imaginação fértil que transparece em alguns deles, o sentido de humor, a inteligência. Não creio, porém, que estes sejam factores que permitam explicar porque guardamos alguns na memória. Há slogans que como que se eternizam de uma forma irracional. Lembramo-nos deles porque sim. Apenas porque sim.
Querem um exemplo? Quem não se lembra da "hora coca-cola light"? ;-)
Mas há mais...muitos mais "gritos de guerra" que ficaram... não?!

Hummm.... novo desafio! Alinham? ;-)

Quarta-feira, Agosto 24, 2005

Vozes


Eunice Katthleen Waymon nasceu em 21 de Fevereiro de 1933 em Tyron, na Carolina do Norte. A sexta de oito irmãos de uma família humilde, já tocava piano aos 4 anos. Aos 10, quando deu o seu primeiro concerto, na biblioteca da cidade, aprendeu o racismo, no momento em que vê os seus pais serem levados da primeira fila para dar lugar a um casal branco.
Morreu em 2003.
E tem uma voz inconfundível.

Não há dia de tristeza que Nina Simone não se faça ouvir junto de mim.

Terça-feira, Agosto 23, 2005

Distância


Neste preciso momento, o meu mano "noivo-que-deixou-de-o-ser" encontra-se a sobrevoar o oceano até Chicago. Dois anos o esperam por lá.
O post de hoje é só dele. Para ele. Que o merece.

O meu regresso a Macau vai impôr-nos 13 (treze!) horas de distância. Os dias trocados. A comunicação difícil. A vida feita ao contrário - eu acordo, ele adormece e vice-versa.
Nada disso importa.

O que nos une é demasiado forte.
E, os meus morangos e os cereais dele (ali ao lado) ajudarão a encurtar a distância.
Assim tu o permitas, Joãozinho!

Adoro-te, meu mano.
Torço por ti a cada minuto!

Domingo, Agosto 21, 2005

Inconsciente (ou sub, não sei)

Sabem quando se acorda com uma música na cabeça?
E o nosso inconsciente (ou sub, não sei) nos obriga a passar o dia a trautear uma melodia que, muitas das vezes, nem é do nosso especial agrado?!

Pois bem, desde há dois dias para cá, sou acompanhada, para onde quer que vá, pela Adriana Calcanhoto a cantar Mário de Sá-Carneiro.

"Eu não sou eu nem sou o outro,
Sou qualquer coisa de intermédio
Pilar da ponte do tédio
Que vai de mim para o outro."

Começo a desconfiar que existe uma qualquer mensagem subliminar, que o meu inconsciente (ou sub, não sei) me pretende transmitir...
Alguém por esses lados que ma consiga descodificar?

Sábado, Agosto 20, 2005

Conquistas


Este mundo virtual tem coisas com piada. É feito de alguma dedicação e de pequenas conquistas, que acabam por nos conquistar a nós mesmos.

Passo a explicar:

A primeira dessas conquistas (para mim, tendo em conta a minha total ignorância cibernáutica) foi mesmo criar um blog - orgulhei-me de mim, quando ao fim de mil e uma tentativas com o template, consegui criar uma página que me fosse agradável à vista - não a perfeita, mas confesso que já estava a ficar pitosga ;-)
A segunda, a coragem para lhe dar alimento, para ir escrevendo a cada dia, para o fazer crescer.
A terceira, a divulgação junto de família e amigos próximos - que isto de nos mostrarmos em palavras tem que se lhe diga.
A quarta, a descoberta de que gente anónima, que me leu, me comentou e que começou a ser visita assídua - e de quem sinto a falta, quando nada me dizem.
A quinta, a primeira vez que vi os meus Morangos "linkados" num blog alheio - sensação estranhíssima ;-)
A sexta, ver um post meu reunir uma quantidade de comentários fora do normal (tendo em consideração a média diária).

São estas pequenas coisas que nos alimentam o desejo, a vontade, o gosto de aqui vir. De continuar.

O conteúdo do post de hoje deve-se a uma boa surpresa que me esperava por cá. A Arte da Fuga (link ali ao lado ;-) - blog desconhecido até à data - descobriu-me e linkou-me porque gostou da nossa lista revivalista.
Obrigada a cada um de vós que ma ajudaram a fazer e ao AA do Arte da Fuga por me ter feito "inchar que nem um perú" :-)

Sexta-feira, Agosto 19, 2005

Decisões


"O futuro é construído pelas nossas decisões diárias, inconstantes e mutáveis, e cada evento influencia todos os outros".
Alvin Toffler

Decidir. Sem bolas de cristal ou certezas possíveis. A vida no-las pede a cada passo.
Umas férias de angústia e uma descoberta: cada vez me convenço mais que o segredo está em olhar para dentro de nós e ir para onde nos leva o coração.

O meu? Está aqui. Amo esta cidade.

Quarta-feira, Agosto 17, 2005

Ai que prazer...



"O erotismo faz do amor um fim em si mesmo, não um meio para prolongar a espécie."
Mário Vargas Llosa

Escritor peruano que descobri, há uns anos atrás, através do relato de precalços e infortúnios de Pantaleão Pantoja, junto das visitadoras ;-)

Este verão, eis que, numa das minhas incursões pela Fnac, de novo me cruzo com Llosa: "Os Cadernos de Dom Rigoberto". Já tem areia em tudo o que é recanto e tem-me deliciado os dias.

Nota:
www.mvargasllosa.com, para quem estiver interessado em saber mais sobre a vida e obra do autor.

Terça-feira, Agosto 16, 2005

Sentires


A falta do olhar desdenhoso onde a tranquilidade se encontra.
A companhia descomprometida de quem aprendeu a co-habitar no mesmo espaço.
O toque macio que afaga a alma.
O aconchego de ternura que a Matilde é.

Hoje, aqui e agora, sinto falta do meu equilíbrio "felino".

Domingo, Agosto 14, 2005

Re-descobertas


Com certeza já todos experimentaram re-descobrir um qualquer objecto que julgavam perdido ou do qual já nem recordavam a existência. Seja um livro, um postal, uma fotografia, um cinzeiro, uma peça de roupa, um cd, uma caneta, uma dedicatória, um qualquer poema transcrito nas costas de um envelope.
Todo aquele conjunto de coisas que nos rodeia, que nos enchem todos os cantos da casa, que lhe dão a nossa vida, o nosso cheiro e às quais, com a rotina, acabamos por deixar de ver.
As nossas coisas. Elas estão lá. Sempre ali. Perto de nós. A tal ponto que, quando saem do sítio, sentimos que algo está diferente: "falta ali qualquer coisa..."

Viver um ano longe da minha casa permitiu-me re-descobrir tudo o que me rodeou.
E o que sinto é ambíguo. Um prazer no re-encontro aliado a uma certa nostalgia, como se de um certo regresso ao passado se tratasse.
Não o é, todavia.
Re-descubro as minhas coisas com olhos diferentes. Olhos que já viram paragens longínquas, que deixaram de temer o mundo.

Os objectos estão cá. Aqui. Como sempre estiveram.
A Bzz é que parece que mudou um bocadinho...

Sexta-feira, Agosto 12, 2005

Sussurros de mãe



"- Estou cheia de sono, mas neste momento veio-me à ideia uma coisa. Tu não terás um blog seceto?
- Ná - o meu é só aquele. Eu, em palavras, e basta. E tu? Queres que te ajude a criar um blog secreto?
- Eu gosto de lá ir todos os dias, mas vejo os comentários sempre com receio que alguém te fira!
- Juízo, minha mãe - que tenho 31 anos e se tiver alguém que me fira é lição de vida. Comenta-me tu para me aconchegares."

Até hoje, sei que o blog é lido diariamente.
Comentários, até à data, é que... népias!

Quinta-feira, Agosto 11, 2005

A Bzz de novo (eu disse que não aguentava;-)



A raça humana é de uma complexidade atroz.
Conseguimos, enquanto seres, encantar e destruir.
Somos capazes de gestos de dádiva e, com a mesma facilidade, de autêntica carnificina. Muitas vezes, a maior parte deles, por motivos que nós, enquanto raça, conseguimos inventar. Exemplo? A religião. A necessidade de crença, de fé, em algo mais. Outro? O dinheiro. Começou como meio para facilitar as trocas e tornou-se um objectivo em si mesmo.

Valha-nos a arte. Que nos faz sentir que, apesar de tudo, nos devemos orgulhar de ser humanos.

Egon Schiele. Nasceu em Tulln, pequena cidade nos arredores de Viena de Áustria. Morreu com 29 anos, no ano em que Klimt, de quem seguiu as pisadas, também morreu.
Pintou quadros magníficos.
A arte, em todas as suas revelações, seja um quadro, um texto, uma frase, uma música...
Eis a minha crença. a minha fé, na beleza do ser humano.

Quarta-feira, Agosto 10, 2005

E o revivalismo continua...


Tendo em conta o sucesso do meu penúltimo post e o total desprezo a que foi votado este último (de facto, a quem é que pode interessar que, num dia de chuva, me tenha enfiado na Fnac a ler Sophia de Mello Breyner?!.... Se lesse um post destes noutro blog, o mais provável seria pensar "e que tenho eu com isso?!" e não ter vontadinha nenhuma de o comentar. Ok. Está decidido. A partir de hoje só posts comentáveis e apetecíveis ;-)

(a Bzz vai-se resguardar um bocadinho. Desconfio é que não será por muito tempo... é que a tal "transparência" é mais forte que eu ;-)

Assim, em jeito de agradecimento aos vossos comentários preciosos, que merecem todo o destaque, resolvi hoje compilar e publicar aqui as nossas memórias e desafiar-vos para que continuem a puxar pela cachimónia, de maneira a engrossarmos esta (inútil, mas a que achamos piada :-) lista.

1) As manhãs de fim-de-semana a aguentar o Vasco Granja e a sua animação de plasticina polaca, eslovaca, ou coisa que o valha, à espera da pantera cor-de-rosa.
2) O sabor do pão com tulicreme
3) O Verão Azul
4) As intermináveis viagens de carro - mãe? pai? ainda falta muito?
5) Os livros das cinco, das gémeas e do colégio das quatro torres
6) Saltar à corda e jogar ao elástico
7) A ânsia que era aguardar pela hora de abrir os presentes na noite de natal
8) As colecções de cromos
9) As pastilhas super-gorila
10) A televisão a preto-e-branco
11) O gelado o dedo
12) Forrar os livros antes das aulas começarem
13) Jogar ao prego na praia
14) Ter de dormir a sesta
15) O tempo em que não havia telemóveis
16) As galochas azuis com o sapo
17) O gorro amarelo com orelheiras (ó run away man... quem é que te vestia, pá?! ;-)
18) Os autocolantes da pantera cor-de-rosa
19) O Marco, que segundo creio ainda hoje se mantém em busca da mãe ;-) (o que eu sofri, diabo!)
20) A série "We are the famous five"
21) O Lucky Luke
22) O papel quadriculado com os números dos cromos que ainda faltavam e que embrulhava os "pr'á troca" ;-)
23) As Pirata (pastilhas elásticas)
24) A primeira televisão a cores (Grundig Super Color)
25) As mocas (que raio de gelados comias tu asterisco ;-)
26) Escrever nas capas dos cadernos as disciplinas (vândalo! é o que é ;-)
27) Jogar ao berlinde e ao pião
28) As chamadas telefónicas para longe que tinham de ser marcadas muito devagarinho
29) Os foguetes com potássio que vinham nos gelados Rajá (versão 1ª da Olá) - foguetes?! Bem digo eu... vocês comiam cada gelado ;-)
30) Os fórmula 1 de plástico, que vinham com uma pastilha elástica numas carteiras decoradas com a pantera cor-de-rosa
31) Os Monty Python
32) Rajás com prémio no pauzinho (que era de madeira lascada)
33) Os primeiros livros da Disney
34) Os tintins coleccionáveis
35) Os primeiros walkman
36) ZX Spectrum 48k
37) Os bzus (????? o que eram os bzus??? alguém me explica?!)
38) Os Action Man
39) A TV Rural e o Eng. Sousa Cardoso com as suas inconfundíveis patilhas (talk, talk, bem vindo! ;-)
40) O pack de domingo: TV Rural, 70x7, Novos Horizontes e Eucaristia Dominical (Humor Negro, isso é que é memória!)
41) O Carrossel Mágico, o País dos Rodinhas, o Sandokan, o Dallas
42) O Verão de 84 com os Jogos Olímpicos de Los Angeles (grandes Carlos Lopes e Rosa Mota! ;-)
43) Os programas de verão do Luis Pereira de Sousa, do Júlio Isidro e do Xoné (??? desconheço quem seja esta última criatura...)
44) Iogurte em copos de vidro
45) As caricas que tinham fotografias de carrinhos do lado de dentro
46) Os filtros amarelos e azuis que se punham no ecran da TV a preto e branco
47) O gelado O Pé (morango)
48) As borrachas com cheiros
49) As colecções de autocolantes
50) As joelheiras nas calças (e nos cotovelos ;-)
51) A pastilha elástica que vinha no fundo do Epá
52) Os granizados Fá, que eram uns gelados de gelo embrulhados em plástico que inevitavelmente derretiam para as mãos, deixando-as altamente pegajosas
53) Os marcadores destapados que manchavam as bolsas das canetas (estojos;-)
54) O Automan, Galactica e os Dukes de Hazard
55) Os Jogos Sem Fronteiras com o Fil Rouge e o incontornável Eládio Clímaco
56) As raquetes de plástico com bolas de esponja
57) A bota Botilde
58) O Festival da Canção
59) O Direito de Antena
60) A Maria Armanda e o sapo
61) A Ana Faria e o camelo (o Areias)
62) O Fungagá da Bicharada
63) A velocidade mítica de 100 à hora
64) As notas de 20$00 com o Santo António e as de 50$00 com a Rainha D Isabel
65) A Eva do Natal ("Compre já antes que esgote!")
66) A Associação de Cegos Luís Braille
67) As t-shirts do surf
68) Os kalkitos
69) Os livros de autógrafos
70) O Sítio do Picapau Amarelo
71) O monstro da Lagoa Negra, a 3 dimensões (lembram-se daqueles óculos ridículos?!)
72) O Ruy, o pequeno cid
73) As colecções de borrachas (esta é de menina ;-)
74) Jogar ao mata, ao lenço ou ao desconfia
75) O Countdown com o Adam Curry
76) O tarzan boy
77) A moda da camisa de fora debaixo do pullover
78) Os cadernos de duas linhas
79) As pipocas de caramelo
80) Os estoiros de bicla
81) Os Europe
82) Rapar a tijela dos bolos
83) As excursões no liceu
84) Brincar ao jardim da Celeste
85) Jogar ao ring na praia
86) Nadar com barbatanas
87) As gemadas p'ra crescer
88) Óleo de figado de bacalhau
89) As sessões duplas no cinema
90) Os filmes em Cinemascope
91) O All We Need is Love
92) As séries de slows nas boîtes
93) Os párachoques cromados nos carros
94) A emissão de tv interrompida durante a tarde
95) O Cabaz de Natal
96) O mundial de 78 e o Mundial de 82 - e o México 86 ;-)
97) Acordar e a maior preocupação do Mundo ser ter de ir para a Escola, que era do outro lado da rua
98) Detestar a escola
99) No ciclo pagar 2$50 por cigarro aos colegas mais velhos, fumar um, lavar os dentes com uma pasta de dentes marada que um levava que tinha um cheiro que não se podia para mal chegarmos a casa a primeira coisa que os nosso pais perguntavam era se andávamos a fumar (tu devias ser fresco, ó míscaro ;-)
100) As fotonovelas da Crónica Feminina
101) Os cortes de energia durante horas a fio
102) As primeiras BTT's
103) O Suchard Express
104) O Ovomaltine
105) Os brindes do Juá
106) O pantógrafo
107) As bolachas de baunilha vendidas avulso
108) O bacalhau embrulhado em papel pardo
109) As esferográficas de 8 cores
110) Os marcadores Molin e os Carioca
111) A picadora 1-2-3 da Moulinex
112) O Badaró
113) A gasosa Rical (olha outro... a beber bebidas esquisitas ;-) Rical?!
114) Os sumos Buçaco (???? bem digo eu...)
115) O Lech Walesa e o Solidariedade
116) Os Lotus pretos com o patrocínio da JPS
117) Os livros da Patrícia
118) O Topo Gigio
119) As bombas de 5 paus
120) As castanholas (raspar na parede e aquecer as mãos)
121) Estalinhos
122) Pistolas com fulminantes (nunix, tu eras um perigo pá! ;-)
123) Jogar ao bate-pé (eu não digo?! ;-)
124) O he-man
125) O captain power
126) O gira-discos
127) O sinal de 90 nos carros (ovo estrelado)
128) A moda do iô-iô (coca-cola, sprite)

Á medida que me ía dedicando a esta tarefa árdua, lembrei-me de mais umas pérolas:

129) Live Aid
130) Os jeans Lois (e a música do reclame - hein, hein...;-)
131) O telefone preto (com fios), de disco rotativo para marcar os números
132) Você decidide e Agora escolha
133) ...

Que mais me dizem? ;-)

Sophia... e a chuva


O cheiro da chuva ao acordar. Praia adiada.

A Fnac à minha espera e, nela, Sophia de Mello Breyner Andersen, feita de palavras que tocam.

"Terror de te amar num sítio tão frágil como o mundo
Mal de te amar neste lugar de imperfeição
Onde tudo nos quebra e emudece
Onde tudo nos mente e nos separa."

... e mais, ainda (na re-descoberta):
Retrato de uma princesa desconhecida

"Para que ela tivesse um pescoço tão fino
Para que os seus pulsos tivessem um quebrar de caule
Para que os seus olhos fossem tão frontais e limpos
Para que a sua espinha fosse tão direita
E ela usasse a cabeça tão erguida
Com uma tão simples claridade sobre a testa
Foram necessárias sucessivas gerações de escravos
De corpo dobrado e grossas mãos pacientes
Servindo sucessivas gerações de príncipes
Ainda um pouco toscos e grosseiros
Ávidos cruéis e fraudulentos
Foi um imenso desperdiçar de gente
Para que ela fosse aquela perfeição
Solitária exilada sem destino."
Encantos trazidos pela chuva e que, por momentos, nos fazem esquecer as saudades do sol ;-)

Terça-feira, Agosto 09, 2005

Geração 70



Ainda a propósito do tempo... no outro dia, ao ler o Diário de Notícias, deparei-me com uma secção denominada "a geração de 70" - gaita, que já começo a fazer parte da história ;-) Hoje o post é dedicado à "minha" geração. Lembram-se...

1) Das manhãs de fim de semana, a aguentar o Vasco Granja e a sua animação de plasticina polaca, eslovaca, ou coisa que o valha, è espera da pantera cor-de-rosa?
2) Do sabor de pão com tulicreme?
3) Do Verão azul?
4) Das intermináveis viagens de carro - mãe? pai? ainda falta muito?
5) Dos livros dos cinco, das gémeas e do colégio das quatro torres?
6) De saltar à corda e jogar ao elástico?
7) Da ânsia que era aguardar pela hora de abrir os pesentes nas noites de natal?
8) Das colecções de cromos?
9) Das pastilhas super-gorila?
10) Da televisão a preto-e-branco?
11) Do gelado o dedo (esta tem direitos de autor ;-)
12) De forrar os livros antes das aulas começarem?
13) De jogar ao prego na praia?
14) De ter de dormir a sesta?
15) Do tempo em que não havia telemóveis?
16)...

Fico-me por aqui. A aguardar revivalismos também da vossa parte!

Segunda-feira, Agosto 08, 2005

O tempo



Hoje, numa crónica imperdível do Lobo Antunes na revista "Visão", o sentimento do "ainda me sinto um puto" e do "já me sinto um velho" são confrontados num texto lindíssimo.

É engraçado pensarmos como a noção de tempo se vai transformando ao longo da vida. A forma como o vivemos, o sentimos, o vamos guardando.
Em miúdos, as viagens de carro para ir de férias pareciam intermináveis, o ano lectivo gigantesco, as férias enormes e os dias com tempo para tudo. E os adultos... aqueles seres estranhos que tudo sabiam, eram-nos distantes - um futuro longínquo, no qual nem sequer pensávamos.
E eis-nos chegados à idade adulta. As viagens de carro encurtam-se, os anos passam a voar, as férias sabem sempre a pouco e os dias passam quase sem darmos conta.
Já somos adultos. E o que sentimos, cá dentro? Que, afinal, não sabemos tudo, não somos mais seguros, nem sempre temos razão. E enganamo-nos, e sofremos, e também rimos, e também choramos e também temos medo.

Nada a fazer. Luta desigual esta. O tempo passa por nós e vai juntando os nossos "ainda" e os nosso "já", quer queiramos, quer não. E, um dia, chegaremos a velhos.

Olharemos para trás, para dentro de nós. Importante é que esse olhar mantenha o brilho que os nossos olhos tiveram quando recebemos a primeira bicicleta ;-)

Domingo, Agosto 07, 2005

Hiroshima


6 da Agosto de 1945.
Em segundos, milhares de seres humanos perdem a vida.
"O cogumelo que mudou o mundo", na revista Visão (míscaro amigo - a tua forma de mudar o mundo é muito, muito mais bonita).

Hoje, Vinicius de Moraes, em homenagem a todas as vítimas da estupidez humana.

"Pensem nas crianças
Mudas telepáticas
Pensem nas meninas
Cegas inexatas
Pensem nas mulheres
Rotas alteradas
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas
Mas oh não se esqueçam
Da rosa da rosa
Da rosa de Hiroshima
A rosa hereditária
A rosa radioativa
Estúpida e inválida
A rosa com cirrose
A antirosa atômica
Sem cor nem perfume
Sem rosa sem nada."

Sábado, Agosto 06, 2005

Fronteiras



As fronteiras na vida são linhas invisíveis que separam mundos e que quando transpostas não permitem regresso.
Pensem na fronteira entre a saúde a doença. A que distingue a alegria e a tristeza. A que separa a rotina da catástrofe. A sanidade da loucura. A fronteira entre a vida e a morte.
Linhas que se atravessam no nosso dia a dia, às quais não prestamos a atenção devida. A maior parte das vezes, nem damos por elas.
Klimt pintou-as. "A vida e a morte".

Impressionou-me a imagem de destruição provocada pelo fogo. O desespero de quem assiste, impotente, ao desaparecimento de um passado e se vê, de um momento para o outro, sem nada e com um amanhã que tem de ser vivido.
É tão fácil esquecermo-nos do que realmente importa. Aborrecemo-nos com coisas tão pequeninas...

Precisamos, por vezes de atravessar uma fronteira, seja voluntariamente, seja por força das circunstâncias, para o perceber.
A mutação interior é inevitável. Crescemos. Com todo o sofrimento que isso implica.

Sexta-feira, Agosto 05, 2005

Quase


Um dia quase perfeito.

Praia. Um sol fantástico, um mar limpíssimo, uma luminosidade única e um entardecer magnífico, partilhados na companhia do meu pai. A conversa em torno de recordações.
Leitura. "O Sorriso aos pés da escada" de Henry Miller. a história de um palhaço famoso que se re-descobre nas pequenas coisas e que, segundo o autor, "é única no sentido de que saiu da tristeza. Mas, que é esta tristeza que nos rodeia e envolve senão a realidade em si mesma".
Uma frase que fica: "ser tu próprio, simplesmente tu próprio, é algo estupendo".
Chegar a casa. Tomar um duche e sentir aquele cansaço bom.
Música.Yo-Yo Ma a tocar Piazzola no cd, as janelas abertas de par em par.

Algo me falta, porém.

"Um pouco mais de sol - eu era brasa
Um pouco mais de azul - eu era além...."
(Mário de Sá-Carneiro)

Quinta-feira, Agosto 04, 2005

As "guerras" dos sexos


Já muito se tem escrito sobre as diferenças entre homens e mulheres. Além das físicas, claro, que essas são óbvias.
É frequente ouvir ou ler que a maneira de pensar é distinta, a forma de reagir, de encarar as situações ou de lidar com os sentimentos.

Do que me vou conhecendo e observando, começo a pôr em causa estas observações.
Passo a explicar: cada vez estou mais convencida que todos nós temos aquilo a que podemos chamar um "lado masculino" e um "lado feminino" enquanto pessoas, seres humanos. O tal Ying e Yang de que falam os chineses. O lado masculino dá-nos o pragmatismo, o feminino a sensibilidade, por exemplo. Encontro homens sensíveis e mulheres pragmáticas, para comprovar esta teoria.
Cada um de nós reúne um conjunto de características que cultural e historicamente têm sido associadas ao universo masculino ou ao feminino. Erradamente, creio. (recordo que falo em características psicológicas e não físicas, pondo assim de parte desta discussão as mulheres masculinizadas ou os homens afemininados). Mas, dizia eu, cada um de nós tem um conjunto de caracterísiticas que não permitem retirar um padrão comum a cada sexo.

Apenas um pequeno detalhe me tira a certeza sobre o que escrevo. A fixação masculina pelo peito feminino. Nós mulheres, ao que sei, não temos nenhuma fixação em especial por qualquer parte do corpo do sexo oposto :-)

Quarta-feira, Agosto 03, 2005

Cheiros



Há dias em que temos de puxar pela imaginação para conseguir escrever algo.
Outros, em que o que temos para escrever é tanto que nada sai.
Neste momento, desconheço o estado em que me encontro.
Não sei se é falta de assunto (começo a tentar não escrever tudo o que me apetece - será exigência pessoal ou receio da transparência desmedida?!) ou se assunto a mais (este blog anda-me a dar a volta ao miolo, de tal forma que, a todas as horas, dou por mim a ir registando ideias para futuros posts - a dimensão começa a ser assustadora!)

Cheiros....

Há uns anos vi um programa giríssimo, não imagino em que canal, mas seria num discovery provavelmente, que descrevia uma série de experiências com mulheres e homens, procurando demonstrar como o cheiro e o olfacto são armas/instrumentos/meios de sedução.
Na Pública deste domingo, uma pequena notícia trouxe-me à memória este facto.
Confirmava aquilo que do tal programa se concluía: cada um de nós emana um odor que atrai as pessoas do sexo oposto que, em termos genéticos, mas desaproximadas são - o que é bom para a sobrevivência da espécie.
Por muitos perfumes que usemos, cremes ou desodorizantes, o olfacto de cada um permite retirar a informação relevante para que a atracção surja.

Neste momentopergunto-me(vos): será mesmo assim?!

Terça-feira, Agosto 02, 2005

Cesariny


Mário Cesariny.
Pintor e poeta português, nascido em Lisboa, em 1923.
Um dos mais importantes defensores do movimento surrealista em Portugal.
Escreveu este "Poema" que, hoje, ao folhear numa livraria um dos seus livros, re-descobri.

Em todas as ruas te encontro
em todas as ruas te perco
conheço tão bem o teu corpo
sonhei tanto a tua figura
que é de olhos fechados que eu ando
a limitar a tua altura
e bebo a água e sorvo o ar
que te atravessou a cintura
tanto tão perto tão real
que o meu corpo se transfigura
e toca o seu próprio elemento
num corpo que já não é seu
num rio que desapareceu
onde um braço teu me procura
Em todas as ruas te encontro
em todas as ruas te perco.

Segunda-feira, Agosto 01, 2005

Momentos


E o bem que sabe, em férias, num belo fim de tarde, com o mar em frente, partilhar uma cerveja fresquinha junto daqueles que gostamos, e discutir o que faríamos se, cada um de nós, ganhasse o Euromilhões...
É esta intimidade de partilha de sonhos que torna o momento inesquecível.