Terça-feira, Fevereiro 27, 2007

Coisas desta terra...


Algo que sempre me intrigara é o facto de, nos parques de estacionamento aqui do burgo, alguns dos carros terem sempre o limpa pára-brisas levantado.

"Manias!" - pensava eu.
Hoje, porém, o mistério desvendou-se.
Chegada de manhã no meu super-carro, que não é um Lamborgini, mas para mim é como se fosse, estaciono e eis que vejo um casalinho todo "armadilhado" de baldes, escovas e mil-e-um-apetrechos de limpeza automobilísticos a lavar um dos muitos carros ali aparcados.
Ora, como o meu até estava sujto, resolvo celebrar logo ali um contrato de prestação de serviços para que também ficasse um brinquinho, como merece.
"Kei-to-chin?", "Yi-sap man". Ok. 20 pataquitas.
Saco da carteira, mas a mulher não parava de gesticular, de me escrever caracteres como se eu soubesse lê-los, numa ânsia deseperada de me dizer algo.
("Raios, que nunca mais celebro o contrato..." - pensava eu para os meus botões)
Socorro-me, então, do telemóvel e de quem conheço que fala cantonês e português para me acudir e, finalmente, lá percebi o motivo de tanto gesto. É que a dita senhora queria explicar-me que se eu pagasse 200 patacas, durante um mês inteirinho, todos os dias, ela e o companheiro, me deixariam o bólide a brilhar.
200 patacas, para quem não saiba, equivalem, mais coisa menos coisa, a 20 euros.
20 euros?!! Isso é o que me custa UMA lavagem em Lisboa!
No final do dia, chegada ao meu carro com alma de Lamborgini, lá estavam os limpa pára-brisas no ar e o meu pó-pó a brilhar.
Agora, digam-me lá, como é que eu não hei-de gostar desta terra?!