Do olhar

Quem me conhece bem sabe que trabalho nunca foi coisa que me assuste. E ter trabalho até mais não, ao invés de me aterrar, estimula-me pois provoca-me uma adrenalina fantástica de querer pôr tudo a mexer. O dia voa no meio dos inúmeros afazeres e os momentos de repouso são, como tal, muito compensadores.
É este o meu estado actual.
Estava eu embrenhada entre um parecer que tem hoje de ser enviado (sem falta, que os prazos são para se cumprir), dois telefonemas e um "Dra. Este processo está consigo?", mais a conta do outro que tem de sair, aparece-me um papel à frente com uma encomenda de Portugal para ir levantar aos correios.
À hora de almoço lá vou eu de papelinho em punho para a estação dos correios (um edifício lindíssimo no centro de Macau, onde quase todos os funcionários - ainda - falam português) e eis o meu espanto quando me apercebo que, afinal, a encomenda não era o dito casaco. Esse deve chegar no pino do Verão, não é mãezocas?! ;-)
Um livro.
O "Cemitério de Pianos".
Autografado pelo autor: "Para a Bi, a música das palavras, a música do sentido das palavras e a estima de José Luís Peixoto"
E, mais precisoso ainda, com a dedicatória de um GRANDE amigo que trago no coração.
Helder, meu querido, esta foi a melhor forma que encontrei de te agradecer, de te dizer que te adoro e de que "aquele" olhar (o tal que transmite palavras) me voltou :-)













