Correspondência epistolar
"Escrever é sempre dizer por extenso. (...) a passagem à escrita, mesmo que gerada num impulso, implica uma certa solenidade. Verba volant scripta manent, as palavras esvoaçam e a escrita permanece (...). Ao escrever, estamos mais empenhados, somos mais definitivos, ficamos mais comprometidos. O escrito é como um freeze frame, imobiliza um momento histórico, um determinado espírito, uma força ou fraqueza do instante"Pedro Mexia, in "Primeira Pessoa"
Recordam-se da última vez que escreveram ou receberam uma carta manuscrita?
Pois é. As caixas de correio electrónicas vieram imediatizar a troca de correspondência entre nós humanos.
Recordam-se da última vez que escreveram ou receberam uma carta manuscrita?
Pois é. As caixas de correio electrónicas vieram imediatizar a troca de correspondência entre nós humanos.
Reconheço as virtualidades desse imediatismo, da resposta célere, mas, tal como o saborear de um livro nas mãos, também a carta manuscrita tem um encanto particular: o ritual da escrita à mão, de colocar as folhas dobradas num envelope, de o selar, a caligrafia do remetente, o papel tocado por ambos (remetente e destinatário), o abrir do envelope, o desdobrar do papel e o sentir o outro ali, nas nossas mãos, nas palavras que assim permanecem.
O imediatismo na resposta é bom, sem dúvida.
Et pourtant...
Ninguém me tira o prazer de, chegar a casa, abrir a caixa de correio e, no meio das contas e dos extractos bancários, ver uma carta de alguém que me é querido.
Guardo-as todas. Cada uma delas.
São tesouros que só quem gosta verdadeiramente das palavras sabe dar valor.

